Em recente postagem em sua página no Facebook, o irreverente major Marcelo Ribeiro, da Polícia Militar do Pará, anunciava que tinha sido chamado pelo próprio nome, nas ruas de Dom Eliseu-PA, cidade onde está localizada a sede da 21ª Companhia Independente da PMPA.
POLICIAL ARTICULADO
Na foto, Marcelo Ribeiro ilustra o instante em que pessoas da comunidade o abordaram para falar sobre a segurança no município.
O major Marcelo é um oficial muito articulado com a comunidade onde trabalha.
TRABALHO EM SANTARÉM
Esse seu modo de conduzir o sua atividade no policiamento, ele demonstrou com maestria quando, a meu convite, foi comandar a Companhia de Policiamento que fica localizada em Santarém-PA. Era 2007, ano em que eu comandava o 3º BPM e tinha como subcomandante o diligente major Risuenho.
Na época, eu precisava mostrar como essa proximidade entre a polícia e a comunidade poderiam mudar a concepção de construir Segurança Pública e de tabela tornar as pessoas partícipes desse processo.
ATIVIDADES INTERATIVAS MOBILIZARAM A SOCIEDADE
Colocamos no ar um programa de rádio semanal (Estação Segurança), na Rádio Rural de Santarém, fazíamos o Paradão no Bairro (espécie de Sete de Setembro fora de época), com saturação do efetivo policial no bairro e interatividade com os estudantes locais e com as lideranças comunitárias.
Além disso, personificamos o PMzito, para atrair a atenção de crianças e adolescentes, fortalecemos o PROERD (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência), com policiais trabalhando exclusivamente nessa atividade.

Fizemos, com apoio da Senasp, dois cursos nacionais de Promotor de Polícia Comunitária.
Dividimos a cidade em cinco setores de policiamento.
Criamos o policial referência em cada setor e tínhamos ainda as líderes comunitários referências para lidar com os policiais da área.
Estabelecemos parceria com todas as instituições de Segurança Pública, notadamente com a Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Centro de Perícias Científicas, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. Tínhamos até parceria com a Delegacia Fluvial da Marinha do Brasil, com quem fazíamos operações conjuntas nos rios da região. Nosso trabalho tinha estreita relação de parceria com o Exército Brasileiro, através de seu 8º Batalhão de Engenharia de Construção, com apoio recíproco em nossas atividades.
Orientamos a criação de dois CONSEGs (Conselho Comunitário de Segurança e Cidadania), que muito nos ajudaram a identificar os problemas locais.
REDUÇÃO DA CRIMINALIDADE
Esse trabalho que exercita muito a criatividade, mudança gerencial e nos orienta à resolução de problemas, é - sem dúvida nenhuma - o melhor caminho, porque tem legitimidade, apoio e participação da população e dá resultados.
O número de homicídios em relação a 2006 caiu de 69 para 49 homicídios e o número de roubos despencou em 38%.
Não houve registro de nenhum golpe da saidinha e de nenhuma ocorrência de roubo a banco, no ano de 2007.
E o sucesso de nossa passagem em Santarém, claro, não se deve unicamente ao trabalho da Polícia Militar, mas ao conjunto de ações integradas, sob a compreensão de que os bons resultados só poderiam ser atingidos com a união dos esforços das instituições e da sociedade.
VITÓRIA
Um dos grandes prêmios que recebemos foi saber que esse modelo de atuação, após a minha saída e já no comando de meus sucessores, obteve o reconhecimento da Revista Veja que considerou Santarém a cidade mais segura do Brasil, dentre as cidades de 200 a 400 mil habitantes.
DOM ELISEU

Isso nos leva a concluir que a comunidade precisa conhecer o policial que atua na sua comunidade. Quando isso acontece, há um efeito muito positivo. Essa relação personalizada se fortalece quando o policial também chama o cidadão da comunidade pelo seu nome. Percebe-se, neste caso, o estabelecimento de uma relação de confiança que é extremamente importante para o estabelecimento de um modelo personalizado que não permite atos de desvios de conduta policial (e nem do cidadão) porque está instalado, automaticamente, o controle social. Assim, a prática da corrupção ou concussão diminui ou é eliminada daquele espaço e o resultado disso é que a comunidade, por ter confiança na sua polícia, vai se aproximar cada vez mais e denunciar com segurança, pois haverá um compromisso recíproco, que chamo de cumplicidade comunitária.
Aproximar-se da comunidade e obter informações sobre seus problemas e sobre suas dificuldades é INTELIGÊNCIA PURA.
O interessante é contar isso aqui e o cidadão perguntar: mas se isso dá certo, por que não é espraiado em toda a polícia?
E uma outra coisa que me deixa indignado: o trabalho inteligente da Polícia de Proximidade não é a regra nas instituições policiais.
Mas, toda vez que um governo quer mostrar que "é parceiro da comunidade, sob o discurso de servir e proteger a sociedade", ele se socorre das atividades de uns poucos policiais que, pontual e heroicamente, ainda dão orgulho às nossas instituições.
Mas, infelizmente, ainda contamos nos dedos das mãos (e só das mãos) os policiais que fazem (com muita resistência de seus pares e superiores) uma POLÍCIA INTELIGENTE, LEGÍTIMA E PROTETORA DA SOCIEDADE.
É o sistema.
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