domingo, 16 de julho de 2017

A FORÇA ELEITORAL DE BOLSONARO

                                          Filipe G. Martin

Como vocês sabem, a grande mídia raramente dá qualquer espaço ao Deputado Jair Bolsonaro e, quando o faz, sempre o apresenta da maneira mais negativa possível.

Não é exagero dizer que o grande público só o conhece através de um filtro que distorce a sua imagem, demoniza a sua personalidade e, é claro, omite todas as suas qualidades e virtudes.

De algum modo, o reflexo disso pode ser visto nas pesquisas eleitorais. Podemos ficar impressionados ao constatar que o candidato que representa tudo o que as classes falantes repudiam tem 21% das intenções de voto, mas isso é pouco perto do que ele teria se nossos jornalistas não empreendessem uma verdadeira guerra contra ele e contra o que ele representa.

Na Globo, na Folha de São Paulo e no Estadão, quem quer que pense como o Deputado Jair Bolsonaro – ou seja, a quase totalidade do eleitorado nacional – é considerado um extremista de direita, indigno de ser ouvido e merecedor de todos os ataques.

Esse é, aliás, um dos motivos pelos quais a democracia brasileira foi reduzida à já costumeira disputa em família entre candidatos de esquerda, na qual tudo o que é concedido ao povo brasileiro é o direito de votar, de quatro em quatro anos, em candidatos que representam o contrário de tudo aquilo em que ele acredita.

É por isso, também, que sempre digo que o maior problema brasileiro, junto com o democídio causado pelas políticas de segurança pública dos últimos 20 anos, é a crise de representatividade.

Nunca houve uma situação em que o abismo entre as elites e a realidade da vida popular fosse tão profundo. Qualquer político, jornalista ou intelectual que ouse, mesmo que de modo tímido, dar voz aos valores, às crenças e aos anseios populares acaba sendo classificado como uma figura excêntrica, quando não como um inimigo de tudo o que há de bom e virtuoso no mundo.

Apesar disso, a maioria absoluta das pessoas que vivem no Brasil é conservadora, cristã, tem valores tradicionais e preza pela ordem. Por isso mesmo, sempre esteve desprovida de uma verdadeira representação política e sempre foi marginalizada e excluída do espaço público.

Mas isso está começando a mudar e, gradualmente, as pessoas vão se dando conta disso — e aqui volto às pesquisas.

Ao analisarmos a divisão demográfica das intenções de votos, três dados referentes ao eleitorado do Deputado Jair Bolsonaro saltam aos olhos: (1) quanto maior a renda de uma pessoa, maior sua propensão a votar nele; (2) do mesmo modo, quanto maior o seu nível de instrução, maior sua propensão a votar nele; (3) quanto mais jovem, independentemente da renda e do nível educacional, maior é a sua identificação com ele.

Isso causa um certo estranhamento, não? Afinal, é natural esperar que o apelo eleitoral do Deputado Jair Bolsonaro seja ainda maior entre as camadas populares do que entre os grupos que ele já conquistou — ele pensa, fala e age como um brasileiro médio; ele pensa, fala e age de um modo que qualquer pessoa simples pode compreender e se identificar; e, além disso, ele oferece a perspectiva de que esse eleitorado finalmente encontre uma representação política efetiva.

Portanto, ao olhar para esses dados, uma hipótese se impõe: a explicação para a atual composição do eleitorado do Deputado Jair Bolsonaro está na forma e nos meios utilizados pelos eleitores para obter suas informações. Aqueles que se informam pela internet (jovens, pessoas mais instruídas e com renda maior) conhecem um Bolsonaro ainda inacessível àqueles que se informam pela grande mídia, sobretudo pela televisão, e que só o conhecem — quando conhecem — através do filtro da imprensa, aquele mesmo que distorce sua imagem, demoniza sua personalidade e omite todas as suas qualidades e virtudes.

Se essa hipótese se confirmar e a candidatura do deputado não for barrada pelo ativismo judicial dos ministros do STF, veremos que ele tem muito espaço para crescer e que, através de uma campanha que permita furar o filtro da grande mídia, ele certamente poderá chegar ao segundo turno com chances reais de vitória. Mas, seja qual for o desfecho, ele já é uma força política e eleitoral que não pode ser ignorada e que provavelmente mudará o cenário político brasileiro para sempre. Reconhecer isso não é torcida, é abrir os olhos para um dado objetivo da realidade e perceber para onde as coisas estão se encaminhando. O que fazer com esse dado fica a critério de cada um.